Magma Transações Societárias Panorama trimestral · 3T26

Panorama Macroeconômico, Político e Mercado de M&A

Projeções dos grandes bancos para o encerramento de 2026, com leitura da Magma para quem compra e vende empresas.

Janela temporal da análise3º Trimestre de 2026 (julho a setembro)
Projeções vigentes em5 de outubro de 2026
Bancos e casas analisadosItaú, Bradesco, BTG Pactual, XP, J.P. Morgan e Focus

O 3T26 fechou com juro global subindo de novo, petróleo acima de US$ 95 e Brasil desacelerando com inflação acima do teto. No M&A, o mercado fez menos negócios, mas maiores.

Fed Funds
3,75–4,00%
Primeira alta desde 2023, em 16 de setembro
Brent
> US$ 100
Rompido em 9 de setembro com a guerra EUA–Irã
Selic
13,75%
Corte de 0,25 p.p. em 16 de setembro; Focus vê 13,50% no fim do ano
IPCA 2026 · Focus
5,01%
Acima do teto de 4,50% da meta
Dívida bruta
82,9%
do PIB em agosto, maior nível desde 2020
M&A até agosto
R$ 210,7 bi
834 transações: −31% em número, +11% em valor

O trimestre em cinco datas

JULAGOSETOUTJanela do relatório: 3T2611/agoJ.P. Morgan rebaixaBrasil para neutro09/setBrent rompeUS$ 10016/setFed sobe juros; Copomcorta Selic a 13,75%30/setDívida bruta chegaa 82,9% do PIB04/out1º turnopresidencial
Eventos do 3T26 e o 1º turno de 4 de outubro (em terracota, fora da janela do relatório).
“

O custo de capital segue alto dos dois lados do Atlântico. Em 2026, fecha negócio quem tem ativo de qualidade e estrutura de preço criativa.Leitura Magma

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Cenário Global: o Fed volta a subir juros e o petróleo dispara com a guerra no Golfo

O trimestre virou a chave do ciclo global. O Fed passou de cortes para alta, e a guerra EUA–Irã devolveu ao petróleo o papel de principal risco inflacionário.

Federal Reserve: a virada hawkish

  • Em 16 de setembro, o FOMC elevou os Fed Funds em 0,25 p.p., para 3,75%–4,00%, por unanimidade. Foi a primeira alta desde meados de 2023.
  • O presidente do Fed, Kevin Warsh, apontou inflação alta há tempo demais e riscos de preços em alta.
  • O dot plot indica juros entre 4,1% e 4,4% no fim do ano, e o mercado já precifica mais uma alta.
  • Para o Brasil: juro americano maior reduz o diferencial de juros, pressiona o câmbio e encarece o capital estrangeiro.

Geopolítica e commodities

  • A guerra EUA–Irã entrou no sétimo mês, com interrupção do tráfego no Estreito de Ormuz, rota de cerca de 20% do petróleo e do GNL globais.
  • O Brent rompeu US$ 100 em 9 de setembro e rondava US$ 96 no início de outubro.
  • A EIA projeta média de US$ 91 em 2026 e US$ 74 em 2027: normalização esperada, mas não agora.
  • No Brasil, o choque chega via combustíveis, fretes e fertilizantes, somado a um El Niño mais forte.

Motores corporativos: IA segura os lucros

  • Lucros de tecnologia e semicondutores seguem sustentando as bolsas globais, apesar do custo de capital mais alto.
  • O J.P. Morgan contabilizou US$ 3,2 trilhões em M&A global no 1º semestre, com tecnologia e infraestrutura de dados entre os motores.
  • EUA e China concordaram em dialogar sobre IA e reduzir tarifas sobre US$ 30 bilhões em mercadorias, um alívio parcial na frente comercial.
Leitura Magma

O “juro alto por mais tempo” voltou. Para quem precifica ativos no Brasil, isso significa taxas de desconto elevadas e maior peso de compradores estratégicos sobre compradores financeiros alavancados.

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Cenário Doméstico: atividade, política e fiscal

O Brasil chega ao fim do 3T26 com crescimento perdendo fôlego, inflação acima do teto e dívida em alta, um quadro que limita o espaço para cortes de juros.

Focus no 3T26: inflação acima do teto, PIB em queda

Mediana semanal do Boletim Focus para 2026, de agosto a outubro

IPCA 2026 (%)PIB 2026 (%)−0,13 p.p. em oito semanasTeto da meta: 4,50%10/ago: 5,02%17/ago: 5,02%24/ago: 5,02%31/ago: 5,01%08/set: 5,00%14/set: 4,90%21/set: 4,92%28/set: 4,99%05/out: 5,01%5,02%5,01%10/ago05/out10/ago: 1,98%17/ago: 1,98%24/ago: 1,95%31/ago: 1,92%08/set: 1,93%14/set: 1,89%21/set: 1,88%28/set: 1,86%05/out: 1,85%1,98%1,85%10/ago05/out
Fonte: Banco Central do Brasil, Boletim Focus, edições de 10 de agosto a 5 de outubro de 2026.

Crescimento e inflação

  • O PIB cresceu 0,5% no 2T26, puxado por agro (+2,8%) e indústria extrativa (+3,4%); o consumo das famílias caiu 0,4%.
  • Os grandes bancos convergem para PIB de 1,7% a 1,8% em 2026, abaixo do Focus.
  • O Banco Central projeta IPCA de 5,2% em 2026 e convergência para 3,1% apenas no 2T28.
  • O IPCA-15 de setembro subiu 0,70%, após deflação de 0,4% em agosto.

Panorama político e regulatório

  • A campanha chegou a setembro com disputa equilibrada, o que elevou o prêmio de risco nos ativos locais.
  • Em agosto, o J.P. Morgan rebaixou o Brasil para neutro, citando o desempenho fraco dos ativos nos meses pré-eleição.
  • O fim da escala 6×1 entrou na agenda e é apontado pelos bancos como risco adicional de inflação.
  • Estímulos fiscais e de crédito somam cerca de R$ 200 bilhões desde o fim de 2025 (XP), na contramão da política monetária.

Fiscal, Selic e câmbio

  • A dívida bruta chegou a 82,9% do PIB e a líquida a 69,3% em agosto. Os juros nominais custam 8,86% do PIB em 12 meses.
  • O déficit primário do setor público consolidado é de 0,62% do PIB em 12 meses.
  • O Copom cortou a Selic para 13,75% em 16 de setembro. O Focus vê mais um corte, para 13,50%, e Selic de 12% em 2027.
  • O BTG classifica o ritmo de alta da dívida como insustentável, o que trava a queda dos juros longos.
  • O câmbio projetado pelo Focus segue em R$ 5,20; entre os bancos, as projeções vão de R$ 5,00 a R$ 5,40.
Leitura Magma

Juro real perto de 9% e eleição aberta formam o pano de fundo das negociações. Vendedores precisam de uma tese de investimento sólida; compradores pedem proteção contratual.

Pós-fechamento · fora da janela do 3T26

1º turno de 4 de outubro: eleição vai ao 2º turno em 25 de outubro

47,03%
Flávio Bolsonaro (PL) · votos válidos
45,16%
Luiz Inácio Lula da Silva (PT) · votos válidos

Na primeira reação de mercado, o J.P. Morgan voltou a recomendar ações brasileiras e estimou potencial de alta de 12% a 20%. O banco ressalta que, qualquer que seja o resultado, o próximo governo herda juro real elevado e déficit fiscal.

Para o M&A: a definição em 25 de outubro tende a destravar processos pausados à espera de clareza política. A janela de novembro e dezembro merece atenção de vendedores e compradores.

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Atividade de M&A: menos transações, mais capital

O M&A brasileiro entrou no período eleitoral com o menor número de transações em anos, mas com mais capital por operação: R$ 210,7 bilhões em 834 deals até agosto.

O número cai, o valor sobe em todas as leituras de 2026

Número de transaçõesValor movimentado1T26: -43%−43%1T26: +114%+114%1T261S26: -35,3%−35,3%1S26: +3,4%+3,4%1S26Jan–ago/26: -31%−31%Jan–ago/26: +11%+11%Jan–ago/26Variação contra o mesmo período de 2025. 1T26 em US$ (Aon, TTR Data e Datasite); 1S26 e jan–ago em R$ (TTR Data).
Fontes: TTR Data; Aon, TTR Data e Datasite (1T26).

Volume vs. qualidade

  • Até agosto, o número de operações caiu 31% e o capital mobilizado subiu 11% (TTR Data). Agosto somou 57 deals e R$ 12,6 bi.
  • A KPMG registrou 292 transações no 2T26, ante 318 no 1T26. O cross-border movimentou R$ 70 bi só no 2T.
  • Investidores estrangeiros fizeram 155 transações e R$ 58,7 bi no 1º semestre.
  • O padrão é de consolidação do core business: menos apostas, ativos maiores, teses mais defensáveis.

Valuation gap e proteção de risco

  • Com Selic a 13,75% e eleição aberta, cresceu a distância entre o preço pedido e o oferecido.
  • Ferramentas que destravam acordos: earn-outs, escrows, seguros de R&W e cláusulas MAC entre assinatura e fechamento.
  • Com o capital de private equity mais caro, assessores relatam mais soluções estruturadas, como fusões e reverse IPOs.

Setores em destaque

SetorSinal do trimestre
Tecnologia e Serviços DigitaisLíder em número de operações no semestre (TTR Data)
Energia e Transição EnergéticaValor saltou de R$ 2,7 bi no 1T para R$ 18,2 bi no 2T, com megadeals em bioenergia e transmissão (KPMG)
AgronegócioAmaggi comprou 40% da FS Bioenergia por cerca de R$ 4,9 bi
InfraestruturaTaesa comprou ativos de transmissão da Energisa por R$ 1,5 bi
Minerais críticosUSA Rare Earth adquiriu a mineradora Serra Verde (terras raras)

Apetite dos investidores

  • Private equity: mais seletivo e focado em escala. No 1T26, apenas 17 transações de PE mobilizaram mais de US$ 3,1 bi.
  • Estratégicos: ganham espaço, porque financiam com balanço próprio e capturam sinergias que justificam o preço.
  • Middle market: concentra as oportunidades, com múltiplos de entrada mais atrativos e menor concorrência por ativo.
Leitura Magma

O comprador de 2026 paga por qualidade, não por crescimento a qualquer preço. Empresas com governança, dados auditados e capital de giro bem definido fecham mais rápido e com múltiplos melhores.

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Matriz comparativa de projeções consensuais

Os bancos estão mais pessimistas que o Focus no PIB (1,7%–1,8% contra 1,85%) e divididos sobre a Selic: uns veem um último corte, outros veem pausa em 13,75%.

Indicador econômico (2026)Itaú UnibancoBradesco / BTGXP / J.P. MorganFocus (05/out)
Crescimento do PIB1,7%1,7% / 1,8%1,7% / —1,85%
Inflação (IPCA)5,1%4,9% / 5,2%5,0% / —5,01%
Taxa Selic (fim de ciclo 2026)13,75%13,25% / 13,75%13,25% / 13,75%13,50%
Câmbio (USD/BRL, fim de 2026)R$ 5,30R$ 5,00¹ / R$ 5,40R$ 5,00 / —R$ 5,20
Dívida líquida (% PIB)em alta69,3% realizada²69,3% realizada²—
Dívida bruta (% PIB, projeção)em alta82,7%¹ / 83,2%83,3%¹ / —83,3%
  1. Última projeção divulgada em revisão de junho a julho de 2026; as demais são de setembro.
  2. Os bancos publicam projeção de dívida bruta. Para a dívida líquida, a referência é o dado realizado pelo Banco Central em agosto.
  3. O J.P. Morgan não divulga grade completa ao público; o banco projeta um último corte da Selic em setembro, para 13,75%, seguido de pausa longa até o 2T27.

Onde estão as divergências

  • Selic: XP e Bradesco veem 13,25%, porque a economia desacelera antes do esperado. Itaú, BTG e J.P. Morgan veem pausa em 13,75%, pela inflação resistente.
  • Câmbio: amplitude de R$ 0,40 entre a projeção mais otimista (XP e Bradesco) e a mais conservadora (BTG).
  • Inflação: todos acima do teto de 4,50%; o BTG é o mais pessimista, com 5,2%.
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Recomendação de alocação por classe de ativos

A visão consolidada dos research é defensiva com opcionalidade: carregar juro real alto e manter exposição seletiva a ativos que ganham se o prêmio de risco cair após a eleição.

ClassePosiçãoRacional
IPCA+ (NTN-B)SobreponderarJuros reais perto de 8% a.a. nos títulos longos protegem contra choques de oferta e risco fiscal
Pós-fixados (CDI)Neutro a sobrep.Selic de 13,75% remunera a liquidez e serve de reserva tática para o pós-eleição
Ações defensivasNeutro a sobrep.Energia elétrica, saneamento e telecom: caixa previsível e dividendos com juro alto
Ações domésticas cíclicasSeletivoVarejo e consumo têm valuations deprimidos e maior sensibilidade à queda de juros, com volatilidade eleitoral
Internacional (Tech/IA)ManterLucros de tecnologia e semicondutores seguem robustos; o Fed em alta pede seletividade
FIIs de papel (high grade)PreferirRecebíveis indexados à inflação e ao CDI capturam o juro alto
FIIs de tijoloCautelaTaxa de desconto elevada pressiona o valor dos imóveis
Commodities (energia e agro)EstratégicaProteção contra o choque do petróleo e reforço da tese de segurança alimentar do Brasil
Gatilho a monitorar

O resultado de 25 de outubro. O J.P. Morgan estima alta de 12% a 20% para as ações brasileiras se o prêmio de risco ceder com real mais forte.

Risco principal

Nova escalada em Ormuz combinada com um Fed mais duro, pressionando câmbio, inflação e Selic.

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Fontes utilizadas

Relatórios e publicações de análise econômica, política e de transações corporativas divulgados entre julho e outubro de 2026.

  • Itaú UnibancoItaú Macro Research, revisão de cenário de setembro
  • BradescoDepartamento de Pesquisas e Estudos Econômicos, projeções de setembro
  • BTG PactualBTG Macro Strategy, revisão de cenário de setembro
  • XP InvestimentosXP Macro, revisão de cenário de setembro
  • J.P. MorganGlobal & Emerging Markets Research e Latin America Equity Strategy
  • Banco Central do BrasilBoletim Focus, Relatório de Política Monetária do 3T26 e Estatísticas Fiscais
  • Federal ReserveComunicado do FOMC de 16 de setembro de 2026
  • U.S. Energy Information AdministrationShort-Term Energy Outlook
  • FGV IBRESondagens e Índices de Confiança
  • TTR DataRelatórios de M&A Brasil e América Latina
  • KPMGPesquisa Trimestral de Fusões e Aquisições, 2T26
  • Aon, TTR Data e DatasiteRelatório de M&A na América Latina, 1T26
  • Tribunal Superior EleitoralResultado do 1º turno das Eleições Gerais 2026

Conteúdo informativo elaborado pela Magma Transações Societárias a partir de relatórios públicos de instituições financeiras. As projeções pertencem às respectivas instituições e podem ser revisadas a qualquer momento. Este material não constitui recomendação individual de investimento.