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Magma Transações Societárias Panorama trimestral · 4T25

Panorama Macroeconômico, Político e Mercado de M&A

O fechamento de 2025 e as projeções das principais instituições financeiras e consultorias para 2026, com leitura da Magma para quem compra e vende empresas.

Janela temporal da análise4º Trimestre de 2025 (outubro a dezembro)
Projeções vigentes em31 de dezembro de 2025
Bancos e casas analisadosItaú, Bradesco, BTG Pactual, XP, J.P. Morgan e Focus

O 4T25 fechou o ano com o Fed cortando juros, o petróleo no menor nível desde 2020 e o real 11% mais forte. No Brasil, a inflação voltou para dentro da meta e a Selic a 15% chegou ao fim do ano à espera do primeiro corte.

Fed Funds
3,50–3,75%
Dois cortes no trimestre, em 29/out e 10/dez
Brent
≈ US$ 61
Queda de cerca de 18% em 2025, a maior desde 2020
Selic
15,00%
Mantida em novembro e dezembro; Focus vê 12,25% no fim de 2026
IPCA 2025 · Focus
4,32%
Abaixo do teto de 4,50%; era 4,81% no fim de setembro
Ibovespa 2025
+33,95%
Maior alta anual desde 2016, aos 161.125 pontos
M&A até novembro
R$ 256 bi
1.644 transações: +5% em número, +6% em valor

O trimestre em sete datas

OUTNOVDEZJAN08/outMP 1.303 perdevalidade29/outFed corta para3,75%–4,00%20/novEUA retiram tarifa de40% sobre carne e café26/novSanção da isençãodo IR até R$ 5 mil05/dezPré-candidatura de FlávioBolsonaro: Ibovespa −4,3%10/dezFed corta de novo;Copom mantém 15%30/dezIbovespa fecha 2025com alta de 33,95%
Principais eventos de outubro a dezembro de 2025 para juros, câmbio, política e mercado de capitais.
“

2025 terminou com o custo de capital no pico e o ciclo prestes a virar. A janela de M&A de 2026 abre com juros em queda e se estreita à medida que a eleição se aproxima.Leitura Magma

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Cenário Global: o Fed corta, o petróleo cede e o ouro dispara

O trimestre consolidou a flexibilização monetária americana, com um comitê cada vez mais dividido, enquanto o excesso de oferta derrubou o petróleo e a busca por proteção levou o ouro ao melhor ano desde 1979.

Federal Reserve: cortes com dissenso

  • O FOMC cortou os juros em 29 de outubro e de novo em 10 de dezembro, levando os Fed Funds a 3,50%–3,75%, o terceiro corte seguido em 2025.
  • A decisão de dezembro teve três votos contrários, o que não acontecia desde 2019: dois pediam manutenção e um, corte de 0,50 p.p.
  • O dot plot aponta apenas mais um corte em 2026, mas com dispersão de 1,75 p.p. entre o membro mais duro e o mais brando.
  • O Fed encerrou a redução do balanço em 1º de dezembro e retomou compras de T-bills de US$ 40 bilhões no primeiro mês, para preservar a liquidez.
  • Para o Brasil: juro americano em queda e dólar fraco sustentaram o fluxo para emergentes e o diferencial de juros a favor do real.

Geopolítica e commodities

  • O Brent fechou o ano perto de US$ 61, terceira queda anual seguida. A Agência Internacional de Energia projeta excedente de até 3,8 milhões de barris por dia em 2026.
  • O ouro subiu cerca de 65% em 2025, o maior ganho desde 1979, com recorde acima de US$ 4.500 a onça em dezembro. A prata mais que dobrou.
  • EUA e China firmaram uma trégua comercial no fim de outubro, com redução de tarifas e suspensão temporária de restrições a terras raras.
  • Em 20 de novembro, os EUA retiraram a sobretaxa de 40% sobre carne, café e frutas brasileiros, aliviando parte do choque tarifário de julho.

Motores corporativos: IA sustenta crescimento e bolsas

  • O investimento em inteligência artificial sustentou a demanda agregada americana; o BTG projeta PIB dos EUA acima de 2% em 2025 e de 2,4% em 2026.
  • O Fed passou a projetar crescimento de 2,3% em 2026, com inflação de núcleo (PCE) recuando para 2,5%.
  • O dólar caminhou para a maior queda anual desde 2017, sob efeito de cortes de juros, dúvidas fiscais e da política comercial americana.
Leitura Magma

O vento externo de 2025 foi favorável ao Brasil: dólar fraco, juros americanos em queda e apetite por emergentes. Para 2026, a troca de comando no Fed, em maio, é a principal incógnita global para o custo de capital.

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Cenário Doméstico: atividade, política e fiscal

A economia desacelerou e a inflação cedeu mais do que o esperado. A política voltou ao preço dos ativos em dezembro, e o fiscal segue como restrição para a queda dos juros longos.

Focus no 4T25: inflação cai abaixo do teto; Selic de 2026 estável

Mediana do Boletim Focus no início e no fim do trimestre

IPCA esperado (%)Teto 4,50%4,81%4,32% 20254,28%4,05% 202629/set29/dezSelic: hoje vs. fim de 2026 (%)15,00%15,00% atual12,25%12,25% fim 202629/set29/dez
Fonte: Banco Central do Brasil, Boletim Focus, edições de 29 de setembro e 29 de dezembro de 2025.

Crescimento e inflação

  • O PIB cresceu apenas 0,1% no 3T25 (+1,8% em 12 meses), puxado por extrativa e agro; o consumo das famílias avançou só 0,1%.
  • O BTG projeta queda de 0,1% no 4T25, o que significa crescimento real próximo de zero no segundo semestre. O Focus vê PIB de 2,26% em 2025 e 1,80% em 2026.
  • O desemprego caiu a 5,4% em outubro, mínimo da série, mas pela saída de pessoas da força de trabalho.
  • Real mais forte e commodities em queda derrubaram a inflação de bens e alimentos: o IPCA de novembro foi de 0,18%.

Panorama político e regulatório

  • Foi sancionada a isenção do IR para rendas de até R$ 5 mil (Lei 15.270/2025), compensada por tributação mínima de altas rendas e retenção de 10% sobre dividendos a partir de janeiro de 2026.
  • A MP 1.303, alternativa ao aumento do IOF, perdeu a validade em outubro sem votação, uma derrota do governo na pauta arrecadatória.
  • Em 5 de dezembro, a pré-candidatura de Flávio Bolsonaro derrubou o Ibovespa em 4,3%, a maior queda diária em quase cinco anos, e elevou o dólar em mais de 2%.
  • O mercado leu a escolha como fragmentação da direita; pesquisas de dezembro mostravam Lula à frente no 1º turno contra todos os nomes testados.

Fiscal, Selic e câmbio

  • A meta de 2025 deve ser cumprida, com déficit de 0,5% do PIB, graças a receitas de trabalho e IOF. Para 2026, o BTG vê déficit de 0,4%, no limite inferior da meta e dependente de receitas extraordinárias.
  • A dívida bruta deve fechar 2025 em 78,9% do PIB e subir a 81,9% em 2026, com déficit nominal acima de 8% do PIB (BTG).
  • Novos programas de transferência e crédito somam cerca de R$ 80 bilhões (0,6% do PIB) entre 2025 e 2026, na contramão da política monetária.
  • O Copom manteve a Selic em 15% em novembro e dezembro, sem sinalizar o próximo passo. Itaú e BTG projetavam o primeiro corte já em janeiro de 2026.
  • O dólar terminou 2025 com queda de 11,2%, mas subiu 2,9% em dezembro, abaixo de R$ 5,50 no último pregão. O BTG estima uma faixa típica de R$ 4,60 a R$ 6,40 em ano eleitoral.
Leitura Magma

Juro real próximo de 10% e eleição em aberto formam o pano de fundo das negociações de 2026. A nova tributação de dividendos já mexe com estruturas: distribuição de lucros acumulados, cronogramas de fechamento e mecanismos de ajuste de preço passaram a ser pauta das mesas.

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Atividade de M&A: um ano de expansão com seletividade

O Brasil cresceu em número e em valor de transações em 2025, mesmo com a Selic a 15%, enquanto parte da região perdeu tração. Investidores estrangeiros e a consolidação em tecnologia lideraram o movimento.

Capital mobilizado em M&A no Brasil em 2025

Jan–ago/25: R$ 187,8 biR$ 187,8 biJan–ago/251.142 transaçõesJan–out/25: R$ 218,4 biR$ 218,4 biJan–out/251.475 transaçõesJan–nov/25: R$ 256,0 biR$ 256,0 biJan–nov/251.644 transaçõesAcumulado no ano, em R$ bilhões. Até novembro: +5% em número e +6% em valor contra 2024.
Fonte: TTR Data, relatórios mensais de agosto, outubro e novembro de 2025.

Volume vs. qualidade

  • Até novembro, 1.644 transações movimentaram R$ 256 bilhões (TTR Data). Só novembro somou 110 deals e R$ 26,3 bilhões.
  • O Brasil liderou a América Latina, que acumulou US$ 96 bilhões até novembro (+13%). Até setembro, Chile, México e Colômbia registravam queda no número de operações.
  • Private equity: 84 transações e R$ 19,1 bilhões até outubro (+6% em capital). Venture capital: 296 rodadas e R$ 13,2 bilhões (+13%).
  • Aquisições de ativos cresceram 22% em volume até outubro, sinal de carve-outs e reorganização de portfólios.

Valuation gap e proteção de risco

  • Com Selic a 15% e eleição à frente, a taxa de desconto segue alta e a distância entre preço pedido e oferecido persiste no middle market.
  • Ferramentas que destravam acordos: earn-outs, escrows, seguros de R&W e cláusulas MAC entre assinatura e fechamento.
  • A retenção de 10% sobre dividendos a partir de 2026 levou vendedores a antecipar distribuições e a negociar locked box e ajustes de preço com atenção redobrada.

Setores em destaque

SetorSinal do trimestre
Tecnologia e SoftwareInternet, software e serviços de TI lideraram em número de operações no ano (TTR Data)
Química e IndústriaSherwin-Williams concluiu a compra do negócio de tintas da BASF no Brasil, por US$ 1,1 bilhão
Telecom e Infraestrutura digitalTelefônica Brasil concluiu a aquisição de 50% da Fibrasil, por R$ 858 milhões
Energia e InfraestruturaConcentraram os maiores cheques do ano, ao lado de recursos naturais
AgronegócioCrédito rural mais caro e inadimplência em alta ampliam a oferta de ativos para consolidação

Apetite dos investidores

  • Estrangeiros: os EUA lideraram as compras no Brasil, com 130 transações até outubro. O investimento direto no país deve superar US$ 80 bilhões em 2025, o maior desde 2014 (BTG).
  • Fundos estrangeiros de PE e VC aumentaram em 17% o investimento em empresas brasileiras até outubro.
  • Estratégicos: seguem com vantagem num ambiente de crédito caro, porque financiam com balanço e capturam sinergias.
Leitura Magma

Quem preparou a empresa em 2025 chega a 2026 com a melhor janela: juros começando a cair e compradores capitalizados. O ideal é assinar antes do auge da campanha, no 2º trimestre de 2026.

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Matriz comparativa de projeções consensuais

Os bancos convergem para PIB perto de 1,7% e inflação dentro da meta em 2026. A divergência está no tamanho do ciclo de cortes: de 2,25 p.p. a 4,25 p.p. ao longo do ano.

Indicador econômico (2026)Itaú UnibancoBradesco / BTGXP / J.P. MorganFocus (29/dez)
Crescimento do PIB1,7%— / 1,7%1,7% / —1,80%
Inflação (IPCA)4,0%3,8% / 4,1%4,0% / 3,6%¹4,05%
Taxa Selic (fim de 2026)12,75%12,00% / 12,00%12,50% / 10,75%¹12,25%
Câmbio (USD/BRL, fim de 2026)R$ 5,50— / R$ 5,20R$ 5,50 / —R$ 5,50
Dívida líquida (% PIB, fim de 2026)—— / 70,1%——
Dívida bruta (% PIB, fim de 2026)—— / 81,9%——
  1. Projeções do J.P. Morgan divulgadas entre outubro e novembro, quando o banco esperava o primeiro corte em dezembro; o Copom manteve a Selic. O banco não divulga grade completa ao público.
  2. Itaú: cenário de novembro, com IPCA de 2026 revisado para 4,0% em dezembro. Bradesco: revisão de novembro. XP: cenário vigente na virada do ano; câmbio e PIB da revisão de outubro. BTG: Macro View de 16 de dezembro.
  3. “—” indica dado não publicado no recorte consultado. Entre as casas analisadas, apenas o BTG divulga projeção pública de dívida líquida.

Quanto a Selic cai em 2026, segundo cada casa

Corte acumulado em 2026, em pontos percentuais, a partir da Selic de 15,00%J.P. Morgan¹J.P. Morgan¹: Selic de 10,75% no fim de 2026−4,25 p.p. para 10,75%BradescoBradesco: Selic de 12,00% no fim de 2026−3,00 p.p. para 12,00%BTG PactualBTG Pactual: Selic de 12,00% no fim de 2026−3,00 p.p. para 12,00%FocusFocus: Selic de 12,25% no fim de 2026−2,75 p.p. para 12,25%XPXP: Selic de 12,50% no fim de 2026−2,50 p.p. para 12,50%ItaúItaú: Selic de 12,75% no fim de 2026−2,25 p.p. para 12,75%
Projeções para a Selic no fim de 2026 vigentes no 4T25. ¹ Projeção de outubro a novembro de 2025, anterior à manutenção da Selic em dezembro.

Onde estão as divergências

  • Selic: o J.P. Morgan é o mais otimista, com ciclo longo até 10,75%. O Itaú é o mais conservador, com 12,75%; BTG e Bradesco ficam no meio, com 12%.
  • Início do ciclo: Itaú e BTG viam corte em janeiro; parte do mercado já precificava março ou depois, dada a falta de sinalização do Copom.
  • Câmbio: o BTG vê R$ 5,20, enquanto Itaú, XP e Focus convergem para R$ 5,50, embutindo prêmio eleitoral.
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Recomendação de alocação por classe de ativos

A visão consolidada dos research para a virada do ano é de posicionamento para o ciclo de cortes, com proteção contra a volatilidade eleitoral e fiscal.

ClassePosiçãoRacional
IPCA+ (NTN-B)SobreponderarJuros reais acima de 7% nos títulos longos: proteção contra risco fiscal e ganho com a queda da Selic
Prefixados intermediáriosSobreponderarPrincipal beneficiário do ciclo de cortes previsto para 2026
Pós-fixados (CDI)NeutroCDI de 15% ainda remunera a liquidez, mas o carrego tende a cair ao longo do ano
Ações domésticas cíclicasSeletivoConsumo, varejo e construção ganham com juros menores; a volatilidade eleitoral pede seletividade
Ações defensivasManterEnergia, saneamento e telecom com caixa previsível; a tributação de dividendos a partir de 2026 reduz parte do atrativo
Internacional (Tech/IA)ManterDiversificação e proteção cambial para o ano eleitoral, com lucros de IA ainda fortes
FIIs de tijoloReavaliarDescontos elevados e queda esperada de juros abrem espaço para recuperação
FIIs de papel (high grade)ManterRecebíveis atrelados a CDI e IPCA seguem com carrego atrativo
CommoditiesCautelaPetróleo pressionado por excesso de oferta; ouro como proteção, após alta de cerca de 65% no ano
Gatilho a monitorar

O primeiro corte da Selic e o ritmo do ciclo. Cada 1 p.p. a menos na taxa de desconto melhora diretamente o valuation de ativos de longo prazo.

Risco principal

Prêmio eleitoral e estímulos fiscais no ano da eleição pressionando câmbio e juros longos, o que limitaria o espaço para cortes.

Pós-fechamento · fora da janela do 4T25

Janeiro de 2026 confirmou a inflação na meta e o M&A em alta

  • O IPCA de 2025 fechou em 4,26%, dentro do intervalo de tolerância da meta.
  • Na reunião de janeiro, o Copom manteve a Selic em 15% e indicou que pode iniciar os cortes em março.
  • O relatório anual da TTR Data mostrou R$ 313,5 bilhões em M&A no Brasil em 2025 (+15,8%), com os EUA como principal comprador estrangeiro (162 transações).

Para o M&A: a base de comparação de 2025 é alta. Em 2026, o número de operações tende a cair antes da eleição, com o valor sustentado por transações maiores.

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Fontes utilizadas

Relatórios e publicações de análise econômica, política e de transações corporativas divulgados entre outubro e dezembro de 2025, com dados pós-fechamento identificados no texto.

  • Itaú UnibancoItaú Macro Research, Cenário Macro Brasil de novembro e dezembro
  • BradescoDepartamento de Pesquisas e Estudos Econômicos, revisão de novembro
  • BTG PactualMacro View, Relatório Macro Mensal de dezembro
  • XP InvestimentosXP Macro, revisões de cenário do 4T25
  • J.P. MorganBrazil Economic Research e Latin America Equity Strategy
  • Banco Central do BrasilBoletim Focus e decisões do Copom de novembro e dezembro
  • Federal ReserveComunicados do FOMC de 29 de outubro e 10 de dezembro de 2025
  • Agência Internacional de EnergiaOil Market Report
  • FGV IBRESondagens e Índices de Confiança
  • TTR DataRelatórios mensais de M&A Brasil e América Latina e Relatório Anual 2025
  • Aon, TTR Data e DatasiteRelatório de M&A na América Latina
  • IBGEContas Nacionais Trimestrais e IPCA
  • B3Desempenho do Ibovespa em 2025

Conteúdo informativo elaborado pela Magma Transações Societárias a partir de relatórios públicos de instituições financeiras. As projeções pertencem às respectivas instituições e podem ser revisadas a qualquer momento. Este material não constitui recomendação individual de investimento.